
Sobre o livro
Em Móbile Mar, Maria Amélia Mano apresenta a crônica-poética em delicado estado bruto. Sáo histórias de mulheres, famílias, gente de casa e personagens anônimos que atravessam sentimentos como a perda, o desejo, afetos e violências —e recomeços. Dividido em quatro partes, Feminino, Família, Amor e Cotidiano, o livro transforma cenas aparentemente simples em experiências carregadas de poesia e significado. Entre o sertão e a cidade, entre a casa e o mundo, essas experiências e narrativas formam um grande mosaico de vidas interrompidas e reconstruídas. A autora combina, assim, memória pessoal, crítica social, ancestralidade, música, religiosidade e imagens da natureza para revelar a potência existente nos gestos cotidianos. Móbile Mar, no seu todo e enfim, é uma obra sobre o que nos sustenta, da lembrança à palavra, do desejo ao afeto. E reforça, acima de tudo, nossa teimosia e capacidade de seguir, mesmo que a vida, às vezes, teime em não ajudar.
Sobre o autora
Natural de Solonópole, Ceará, Maria Amélia Mano vive há mais de 30 anos no Rio Grande do Sul onde se fez adulta que mima e nina a menina do sertão. A que copiava as crônicas dos livros de escola, escrevia diários e fazia redações pra colegas como desafio: imaginar histórias com o jeito de cada um.
Hoje, mistura tempos e lugares, sul e nordeste. Escreve o que lembra, sente, o que escuta enquanto Médica de Família e Acupunturiatra. Segue inventando, porque ainda se maravilha em ser outros e outras só pelo prazer de criar mundos e histórias pra contar.
Minha mãe procurava nas revistas de artesanato e no coração modas e modos e jeitos de fantasiar e enfeitar a vida, sonhar. Ainda procura e acha, sempre. Eu aprendi e aprendo com ela a olhar pra tudo com esse desejo de fazer cardumes e outros mundos, brilhantes, distantes e próximos, alados e ao alcance das mãos, suspensos no ar e no chão de riscar os céus de amarelinhas. Pés e asas. Pular e voar. Nadar.
Minha mãe me deu meu primeiro mar, naquele sertão sem fim.
Me espio no espelho que envelhece como o dia. Sou galho solto, seco, leve no castanho olhar de sabiá. Passarinho moreno comum que me atravessa no canto, na música e, no vento, avisa que a vida é voo, asa, pouso e ninho. É via, é vinda, é volta, verso e vide o verso. Reviravolta e redemoinho. Esses dois que me descabelam em cinza prata luar desse tempo de mim.
Cada vez mais, eu tenho a mesma paleta de cores do meu pai.
Dizem...
Móbile Mar é o soltar denso das estruturas que nos sustentam em um ritmado encontro da prosa com a poesia em frestas. Entrelaçada pelas linhas seguras que nos movem entre os capítulos, a escrita de Maria Amélia Mano nos oferece a cadência de festa e prece desatando os nós em transparências. Do começo ao fim, tece histórias com profunda sensibilidade e mergulha corajosa na matéria etérea e visceral da existência.
Carol Anversa – escritora

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Em Móbile Mar, Maria Amélia trata a literatura com carinho e cuidado. Para ela, escrever é guardar, dar nome, escutar, reconstruir, compartilhar. É também criar uma forma de justiça para aqueles que não tiveram espaço para contar a própria história. Por isso, se move com naturalidade entre a intimidade familiar e a denúncia social: ambas nascem da mesma necessidade de não deixar que a vida se perca.
O resultado é um livro de forte identidade, marcado por uma escrita visual, musical e sensorial. Maria Amélia, mana, filha, amiga, escreve como quem recolhe fragmentos espalhados (uma fotografia, um cheiro, uma canção, uma cicatriz, uma fruta, uma palavra mal escrita) e os pendura no ar até que comecem a formar uma constelação. Ou, claro, um móbile. Um livro lindo.
Giancarlo Carvalho – escritor


